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domingo, 16 de janeiro de 2011
Pensamento único
"O pensamento único é cada vez mais único e cada vez menos um pensamento. A sua dupla sedimentação, ideológica e tecnocrática, leva-o a não tolerar quem se expressa fora das suas fronteiras. Não se dirige contra as ideias que considera falsas, as quais exigiriam ser refutadas mas contra as ideias que considera «más». Essencialmente declamatório e inquisitório, o pensamento único elimina as zonas de resistência mediante uma estratégia indirecta: marginalização, silenciamento, difamação (…). A fabricação da verdade, escreve Bernard Dumont, proíbe legalmente dizer certas coisas e inclusive ordena nem concebê-las, enquanto neutraliza as outras remetendo-as para o reino relativista das «opiniões». A percepção da realidade é alterada, a fronteira entre o mundo real e o mundo da representação esfuma-se, o clima de mentira generaliza a suspeita e desemboca na despolitização geral e num conformismo de massas, à vez necessidade vital e prémio de consolação dos indivíduos perdidos na «massa»."
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010
Problemática dos sexos
"Nas sociedades europeias antigas, a problemática dos sexos não era vivida como conflito porque essas sociedades reconheciam à mulher uma função social específica. Esta função, de carácter privado, não era considerada como menos preciosa nem menos fundamental que aquela, de carácter público, que era assumida pelo homem. Ora, hoje, esta função social já não existe porque ela foi tomada a cargo pela colectividade. O Estado, dotado de prerrogativas sócio-económicas novas, encarrega-se a si mesmo cada vez mais da educação das crianças e da segurança das pessoas. A mulher encontra-se assim despojada das prerrogativas educativas e «tranquilizantes» que, outrotra, eram colocadas sob a sua responsabilidade. Assim, ela é levada «a libertar-se» de um lar que se tornou uma espécie de concha vazia — e onde ela já não tem papel a desempenhar. E como a função social masculina, apesar de se transformar, se manteve, a única possibilidade para a mulher de reassumir responsabilidades é procurar assumir, tanto quanto o possa, a função social do homem, esforçando-se por demonstrar que «não existem diferenças» entre eles."
"Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981
"Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981
sábado, 12 de dezembro de 2009
Pensamento único e falsa liberdade.
"O pensamento único é cada vez mais único e cada vez menos um pensamento. A sua dupla sedimentação, ideológica e tecnocrática, leva-o a não tolerar quem se expressa fora das suas fronteiras. Não se dirige contra as ideias que considera falsas, as quais exigiriam ser refutadas mas contra as ideias que considera «más». Essencialmente declamatório e inquisitório, o pensamento único elimina as zonas de resistência mediante uma estratégia indirecta: marginalização, silenciamento, difamação..."
Guerra contra os inumanos
"A noção de inimigo da humanidade é efectivamente uma contradição nos termos dado que, por definição, a humanidade não pode ter inimigos entre os humanos. É por causa disso que as guerras em nome da humanidade resultam indubitavelmente na negação da qualidade de ser humano ao inimigo: bater-se em nome da humanidade leva necessariamente a pôr os seus inimigos fora da humanidade. Ora, contra aquele que foi posto fora da humanidade, tudo se torna permitido. Desde logo, o inimigo desta não é mais um simples adversário do momento, que poderia de igual forma transformar-se amanhã em aliado, mas uma figura do Mal, um «inimigo do género humano», um criminoso a punir, podendo ser empregues todos os meios que permitam subjugá-lo."
...A guerra em nome da moral é pois o exemplo acabado da guerra mais inumana. O universalismo abstracto faz dos adversários inimigos absolutos e transforma as guerras «humanitárias» em guerras de extermínio."
Alain de Benoist in «Guerra Justa, Terrorismo, Estado de Urgência e Nomos da Terra - A actualidade de Carl Schmitt», Antagonista (2009).
...A guerra em nome da moral é pois o exemplo acabado da guerra mais inumana. O universalismo abstracto faz dos adversários inimigos absolutos e transforma as guerras «humanitárias» em guerras de extermínio."
Alain de Benoist in «Guerra Justa, Terrorismo, Estado de Urgência e Nomos da Terra - A actualidade de Carl Schmitt», Antagonista (2009).
sábado, 19 de setembro de 2009
Antifascismo=Comunismo/Anticomunismo=Nazismo ?
"No passado, utilizou-se o antifascismo para legitimar o comunismo e o anticomunismo para legitimar o nazismo. Hoje, é a crítica ou a evocação do totalitarismo que se instrumentaliza para fazer aceitar o liberalismo ou os desgastes do mercado. Esse procedimento, causa de desespero para inúmeros indivíduos e povos que não avistam outra alternativa entre o totalitarismo e o horror, não é aceitável. Assim como as conquistas positivas de um regime totalitário não podem justificar os seus crimes, ou os crimes de um regime totalitário não podem justificar os de outros, também a recordação dos sistemas totalitários não pode fazer aceitar a sociedade actual naquilo que ela tem de mais destruidor e de mais desumanizante. Não temos o direito de aceitar uma sorte injusta sob o pretexto de que ela poderia ser pior. Os sistemas políticos devem ser julgados por aquilo que são, não por comparação com os outros, cujos defeitos atenuariam os seus. Toda a comparação deixa de ser válida quando se torna uma desculpa: cada patologia social deve ser estudada separadamente."
terça-feira, 8 de setembro de 2009
De rótulos e hipocrisia
"Disse-se já que as palavras-chave do vocabulário direitista teriam sido desacreditadas pelos fascismos. Diremos, antes, que se esse descrédito foi sabiamente construído e mantido por facções especialistas e especializadas na difusão de mitos incapacitantes e culpabilizantes. É necessário que sejamos muito claros neste caso. Aqui, não nos encontramos em presença de uma análise, mas de uma propaganda. Consiste esta propaganda em assimilar ao «fascismo» toda e qualquer doutrina de direita que se afirme com algum vigor e, como corolário, a definir apenas como «democráticos» os regimes que concebam a liberdade sob a forma de um «deixa andar» de qualquer forma estatutário, como indispensável, aos empreendimentos revolucionários da extrema-esquerda. Por extensão, esta assimilação exerce-se restrospectivamente. É assim que vemos (…) afirmar que a obra de Gobineu está «do lado do crime» — o que é mais ou menos tão inteligente como acusar Jean-Jaques Rousseau de ser totalmente responsável pelo Goulag. A nossa sociedade oferece, assim, o espantoso espectáculo de uma direita que se não pode afirmar como tal sem se ver taxada de «fascismo», e de uma esquerda e de uma extrema-esquerda que a qualquer momento se podem dizer como socialistas, marxistas ou comunistas, afirmando sempre, claro está, que as suas doutrinas nada têm a ver com o estalinismo, nem, aliás, com qualquer forma de socialismo historicamente realizado. Ora, se os seguidores das diversas variedades de socialismo se não sentem comprometidos por qualquer das experiências concretas que os precederam — e nomeadamente pelas mais criminosas de entre elas — não vejo por que razão a direita moderna, que afasta totalmente de si qualquer vocação totalitária, terá de bater com a mão no peito e justificar-se. Frente ao prodigioso descaramento dos partidários de uma doutrina em nome da qual se massacraram já mais de 50 milhões de pessoas e que nem por isso deixam de se apresentar com a mão sobre o coração e rosa em punho como sendo os grandes defensores da liberdade, que a direita responda com uma grande gargalhada libertadora — e que prossiga o seu caminho."
Alain de Benoist
in "Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981, pp. xxv-xxvi.
Alain de Benoist
in "Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981, pp. xxv-xxvi.
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