“A obsessão de igualdade dos demagogos é mais perigosa que a brutalidade dos galões… embora para o anarca as duas coisas sejam meramente teóricas, porque igualmente as repele. O oprimido pode voltar a se erguer, caso tenha conservado a vida. O homem igualado fica arruinado física e moralmente. Quem é diferente não é nosso igual. Eis uma das causas das freqüentes perseguições aos judeus..."
Eumeswil, Ernst Jünger.
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sábado, 1 de maio de 2010
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Igualitarismo
Envelhecemos, e como os velhinhos gostamos das nossas comodidades. Tornou-se um crime ser-se mais e ter-se mais do que os outros. Devidamente privados dos entusiasmos fortes, tomámos em horror tudo o que seja poder e virilidade; a massa e o igualitarismo, são estes os nossos novos deuses. Uma vez que a massa não pode modelar-se pela minoria, que pelo menos o pequeno número se modele pela massa. A política, o drama, os artistas, os cafés, os sapatos envernizados, os cartazes, a imprensa, a moral, a Europa de amanhã, o Mundo de depois de amanhã: explosão de massa. Monstro de mil cabeças à beira dos grandes caminhos, espezinhando o que não pode engolir, invejosa, nova-rica, má. Uma vez mais, o indivíduo sucumbiu, mas não foram os seus defensores naturais os primeiros a traí-lo?
Ernst Jünger
in “A Guerra como Experiência Interior”, Ulisseia (2005).
Ernst Jünger
in “A Guerra como Experiência Interior”, Ulisseia (2005).
sábado, 19 de setembro de 2009
Homem Novo
«Quando os observo a abrirem em silêncio corredores na rede de arames farpados, a escavarem escadas de assalto, a compararem relógios fosforescentes, a determinarem a direcção do norte pelas estrelas, ganho uma consciência flagrante: eis o homem novo, o sapador de assalto, o escol da Europa Central. Uma raça completamente nova, inteligente, forte, carregada de vontade. O que se descobre no combate, e surge até à luz, será amanhã o eixo de uma vida com rotação sonora e cada vez mais rápida. Não haverá sempre, como aqui, que abrir caminho entre as crateras, através do fogo e do aço, mas o passo de carga que impulsiona o acontecimento, o tempo ditado pelo ferro, continuarão imutáveis. O poente abrasado de uma era que desaparece é também uma aurora onde há que se armar para combates novos e mais duros. Longe, na retaguarda, as cidades gigantescas, os exércitos de máquinas, os impérios cujo tufão rasga os ligamentos internos, espelham o homem novo, mais intrépido, aguerrido no combate, que não se poupa nem poupa os outros. Esta guerra não é o final da violência, é apenas o seu prelúdio. É a forja onde o mundo é martelado em fronteiras novas e novas comunidades. Formas novas reclamam um sangue que as encha, e o poder quer que dele se apoderem com uma mão de ferro. A guerra é uma grande escola, e o homem novo será da nossa têmpera.»
Ernst Jünger
in “A Guerra como Experiência Interior”, Ulisseia (2005).
Ernst Jünger
in “A Guerra como Experiência Interior”, Ulisseia (2005).
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