à G.
Na noite da loucura, nu e claro,
O espaço entre as coisas possui a forma de minhas palavras,
A forma das palavras de um desconhecido,
De um vagabundo que desata a cintura de sua garganta
E pega os ecos pelo laço.
Entre árvores e barreiras,
Entre muros e mandíbulas,
Entre essa grande ave trêmula
E a colina que a oprime,
O espaço possui a forma de meus olhares.
Meus olhos são inúteis,
O reino do pó acabou,
A cabeleira da estrada pôs seu manto rígido,
Ela não foge mais, não me mexo mais,
Todas as pontes estão cortadas, o céu nelas não passará mais,
Posso então não ver mais nelas.
O mundo se destaca de meu universo
E, bem no cume das batalhas,
Quando a estação do sangue murcha em meu cérebro,
Distingo o dia dessa claridade de homem
Que é a minha,
Distingo a vertigem da liberdade,
A morte da embriaguez,
O sono do sonho.
Ô reflexos sobre mim mesmo ! Ô meus reflexos sangrentos !
Tradução: Eclair Antonio Almeida Filho
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domingo, 9 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
O beijo
Ainda toda quente da roupa tirada
fechas os olhos e moves-te
como se move um canto que nasce
vagamente mas em toda a parte
Perfumada e saborosa
ultrapassas sem te perder
as fronteiras do teu corpo
Passaste por cima do tempo
Eis-te uma nova mulher
revelada até ao infinito.
fechas os olhos e moves-te
como se move um canto que nasce
vagamente mas em toda a parte
Perfumada e saborosa
ultrapassas sem te perder
as fronteiras do teu corpo
Passaste por cima do tempo
Eis-te uma nova mulher
revelada até ao infinito.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Em virtude do Amor
Libertei o quarto onde durmo, onde sonho
Libertei o campo e a cidade onde passo,
Onde sonho acordado, onde o sol se levanta,
Onde, nos meus olhos ausentes, a luz se acumula.
Mundo de pequena felicidade, sem superfície e sem fundo,
De encantos esquecidos logo que descobertos,
O nascimento e a morte misturam o seu contágio
Nas dobras da terra e do céu misturadas.
Não separei nada mas reforcei o coração.
De amar, tudo criei: real, imaginário,
Dei a sua razão a sua forma o seu calor
E o seu papel imortal àquela que me ilumina.
Paul Éluard, in "poemas de amor e de liberdade" campo das letras, 2000
trad. Egito Gonçalves
Libertei o campo e a cidade onde passo,
Onde sonho acordado, onde o sol se levanta,
Onde, nos meus olhos ausentes, a luz se acumula.
Mundo de pequena felicidade, sem superfície e sem fundo,
De encantos esquecidos logo que descobertos,
O nascimento e a morte misturam o seu contágio
Nas dobras da terra e do céu misturadas.
Não separei nada mas reforcei o coração.
De amar, tudo criei: real, imaginário,
Dei a sua razão a sua forma o seu calor
E o seu papel imortal àquela que me ilumina.
Paul Éluard, in "poemas de amor e de liberdade" campo das letras, 2000
trad. Egito Gonçalves
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Aparece
Aparece pura gema feminina
Como uma jovem solitária
No meio dos seus vestidos nus
Como uma jovem nua
No meio das mãos que a imploram
Eu te saúdo
Anseio por uma chama nua
Anseio p'lo que ela esclarece
Surge meu jovem espectro
Nos teus braços uma ilha desconhecida
Tomará a forma do teu corpo
Minha bem aparecida
Uma ilha e o mar decresce
O espaço teria um leve arrepio apenas
Para nós dois um único horizonte
Acredita em mim revela-te assedia o meu olhar
Dá vida a todos os meus sonhos
Abre os olhos.
Paul Éluard in. "últimos poemas de amor" relógio d'água
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