
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Feliz 2011
Outro ano,a constante luta finalmente justifica a célebre citação de certo filósofo alemão...Após tantas batalhas e algum aprendizado nenhuma grande lição,mas a renovada vontade de ferro.Encarando todo tipo de transtorno e realçando o necessário orgulho por ser diferente tomo o blog como confessionário,recanto poético e erótico desejando que 2011 seja produtivo em termos de cultura,arte e transgressão,pois o rebelde jamais rende-se.
Que toda inspiração e paixão continuem movendo atualizações e se necessário mudanças neste abrigo visceral da web.
Grato pelas visitas e próspero Ano Novo.
"Estranhos são os caminhos nocturnos do homem."
Georg Trackl
Que toda inspiração e paixão continuem movendo atualizações e se necessário mudanças neste abrigo visceral da web.
Grato pelas visitas e próspero Ano Novo.
"Estranhos são os caminhos nocturnos do homem."
Georg Trackl
O beijo
Ainda toda quente da roupa tirada
fechas os olhos e moves-te
como se move um canto que nasce
vagamente mas em toda a parte
Perfumada e saborosa
ultrapassas sem te perder
as fronteiras do teu corpo
Passaste por cima do tempo
Eis-te uma nova mulher
revelada até ao infinito.
fechas os olhos e moves-te
como se move um canto que nasce
vagamente mas em toda a parte
Perfumada e saborosa
ultrapassas sem te perder
as fronteiras do teu corpo
Passaste por cima do tempo
Eis-te uma nova mulher
revelada até ao infinito.
Fim de namoro
Poeira de estrelas,lembranças
De nosso fracasso,o abraço na noite
O último recado.
Até quando serei o espelho de nossos retratos ?
Ilusões de lascívia e paixão delirante
Sob o inevitável neon decadente ?
De nosso fracasso,o abraço na noite
O último recado.
Até quando serei o espelho de nossos retratos ?
Ilusões de lascívia e paixão delirante
Sob o inevitável neon decadente ?
Sou barbeiro
Sou barbeiro. É uma coisa que pode acontecer a qualquer pessoa. Quero dizer que até esse dia fui bom barbeiro. Cada qual tem as suas manias, eu não gosto de borbulhas.
Aconteceu assim: comecei a barbeá-lo calmamente, ensaboei-o com habilidade, afiei a navalha no braço da cadeira e suavizei-a na palma da mão. Sou um bom barbeiro! Nunca cortei ninguém e ainda por cima esse tipo não tinha uma barba muito espessa. Mas tinha borbulhas. Devo reconhecer que nas suas borbulhas não havia nada de especial, no entanto, incomodavam-me, enervavam-me, revolviam-me as tripas.
A primeira, contornei-a bem, sem grande dificuldade, mas a segunda começou a sangrar. Então, não sei o que me deu, acho que é uma coisa muito natural, aprofundei a ferida e depois, sem poder deixar de o fazer, com um só golpe, cortei-lhe a cabeça.
Max Aub in. " crimes exemplares " antígona
Aconteceu assim: comecei a barbeá-lo calmamente, ensaboei-o com habilidade, afiei a navalha no braço da cadeira e suavizei-a na palma da mão. Sou um bom barbeiro! Nunca cortei ninguém e ainda por cima esse tipo não tinha uma barba muito espessa. Mas tinha borbulhas. Devo reconhecer que nas suas borbulhas não havia nada de especial, no entanto, incomodavam-me, enervavam-me, revolviam-me as tripas.
A primeira, contornei-a bem, sem grande dificuldade, mas a segunda começou a sangrar. Então, não sei o que me deu, acho que é uma coisa muito natural, aprofundei a ferida e depois, sem poder deixar de o fazer, com um só golpe, cortei-lhe a cabeça.
Max Aub in. " crimes exemplares " antígona
Assim é a insônia
Os pensamentos ficam girando a noite toda.Estou dormindo? Será que já dormi? Assim é a insônia.
Tento relaxar a cada vez que expiro, mas seu coração está acelerado e os pensamentos em turbilhão na cabeça.Nada funciona. Nem meditação dirigida.
Você está na Irlanda.
Nem contar carneirinhos.
Você conta os dias, as horas, os minutos desde a última vez em que se
lembra de ter dormido. Seu médico dá risada. Ninguém morre por falta de sono.Sua cara parece uma fruta murcha e você acha que vai morrer.Depois das três da manhã numa cama de motel em Seattle, é muito tarde
para encontrar um grupo de apoio ao câncer. Tarde demais para encontrar ascapsulazinhas azuis de Amytal Sodium ou bastõezinhos de Seconal, toda acoleção do Vale das Bolas. Depois das três da manhã, você não pode ir a um clube da luta.
Tento relaxar a cada vez que expiro, mas seu coração está acelerado e os pensamentos em turbilhão na cabeça.Nada funciona. Nem meditação dirigida.
Você está na Irlanda.
Nem contar carneirinhos.
Você conta os dias, as horas, os minutos desde a última vez em que se
lembra de ter dormido. Seu médico dá risada. Ninguém morre por falta de sono.Sua cara parece uma fruta murcha e você acha que vai morrer.Depois das três da manhã numa cama de motel em Seattle, é muito tarde
para encontrar um grupo de apoio ao câncer. Tarde demais para encontrar ascapsulazinhas azuis de Amytal Sodium ou bastõezinhos de Seconal, toda acoleção do Vale das Bolas. Depois das três da manhã, você não pode ir a um clube da luta.
domingo, 26 de dezembro de 2010
A QUEIMA DOS LIVROS
Quando o regime ordenou que queimassem em público
Os livros de saber nocivo, e por toda a parte
Os bois foram forçados a puxar carroças
Carregadas de livros para a fogueira, um poeta
Expulso, um dos melhores, ao estudar a lista
Dos queimados, descobriu horrorizado, que os seus
Livros tinham sido esquecidos.
Correu para a secretária
Alado de cólera e escreveu uma carta aos do poder.
Queimai-me! Escreveu com pena veloz, queimai-me!
Não me façais isso!
Não me deixes de fora! Não disse eu
Sempre a verdade nos meus livros?
E agora
Tratais-me como um mentiroso! Ordeno-vos: Queimai-me!
Bertolt Brecht, in "Poemas" asa, 2008
trad. Paulo Quintela
Os livros de saber nocivo, e por toda a parte
Os bois foram forçados a puxar carroças
Carregadas de livros para a fogueira, um poeta
Expulso, um dos melhores, ao estudar a lista
Dos queimados, descobriu horrorizado, que os seus
Livros tinham sido esquecidos.
Correu para a secretária
Alado de cólera e escreveu uma carta aos do poder.
Queimai-me! Escreveu com pena veloz, queimai-me!
Não me façais isso!
Não me deixes de fora! Não disse eu
Sempre a verdade nos meus livros?
E agora
Tratais-me como um mentiroso! Ordeno-vos: Queimai-me!
Bertolt Brecht, in "Poemas" asa, 2008
trad. Paulo Quintela
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
O importante
Quando te procurei
Estaria por acaso a verdade à minha espera?
O amor ocorre num espaço flutuante
Num exíguo lugar-nenhum
E o sonho é matéria incerta
Mestre na arte da fuga.
Ana Hatherly, in "A Neo-Penélope" & etc, 2007
Estaria por acaso a verdade à minha espera?
O amor ocorre num espaço flutuante
Num exíguo lugar-nenhum
E o sonho é matéria incerta
Mestre na arte da fuga.
Ana Hatherly, in "A Neo-Penélope" & etc, 2007
Nocturno
Neste anoitecer Vénus aparece sozinha
E no caminho de casa as penas são como seda
Como a túnica de um múltiplo fantasma
Como asas despedaçadas num céu de leite.
Em breve as gaivotas transformar-se-ão na pedra
Que procurei e perdi além, na senda dos
Bosques onde eu e a minha ignorância
Caminhámos juntos sobre as mãos e os joelhos
E juntos continuamos a caminhar sob a palidez
De um belo anoitecer muito amado,
Mas este anoitecer é a minha prisão
E os polícias brilham entre as árvores.
Malcolm Lowry, in "As cantinas e outros poemas do álcool e do mar" assírio & alvim, 2008
E no caminho de casa as penas são como seda
Como a túnica de um múltiplo fantasma
Como asas despedaçadas num céu de leite.
Em breve as gaivotas transformar-se-ão na pedra
Que procurei e perdi além, na senda dos
Bosques onde eu e a minha ignorância
Caminhámos juntos sobre as mãos e os joelhos
E juntos continuamos a caminhar sob a palidez
De um belo anoitecer muito amado,
Mas este anoitecer é a minha prisão
E os polícias brilham entre as árvores.
Malcolm Lowry, in "As cantinas e outros poemas do álcool e do mar" assírio & alvim, 2008
sábado, 4 de dezembro de 2010
"Margareth, Paris"

Bruno Bisang,"Margareth, Paris", 1998. Silver Gelatine Print. Größe 20x24. 2000 Euro. Edition: 25 (PhotographersLimitedEditions.com)
SE TE NOMEASSE CINTILARIAS
Se te nomeasse cintilarias
no beco de uma cidade desfeita
e o chumbo dos labirintos derreter-se-ia
na veia branca da noite uma estátua
de areia talvez um barco sulcasse
a cabeleira aquática da fala e
nenhuma porta se abriria sob teus passos
onde estamos? onde vivemos?
no desaguar tenebroso deste rio de penumbra
não beberemos ao futuro do homem
nem festejaremos o rugido triste da fera
moribunda
mas se te nomeasse
que desejo de sexo e da mente a medrosa alegria
em mim permaneceria?
Al Berto in. "Transumâncias"
no beco de uma cidade desfeita
e o chumbo dos labirintos derreter-se-ia
na veia branca da noite uma estátua
de areia talvez um barco sulcasse
a cabeleira aquática da fala e
nenhuma porta se abriria sob teus passos
onde estamos? onde vivemos?
no desaguar tenebroso deste rio de penumbra
não beberemos ao futuro do homem
nem festejaremos o rugido triste da fera
moribunda
mas se te nomeasse
que desejo de sexo e da mente a medrosa alegria
em mim permaneceria?
Al Berto in. "Transumâncias"
H
O coveiro subiu três degraus e pisou a soleira.
Os cabelos longos e negros da morta cresciam ainda, alimentados pelos ossos, varrendo o chão de todas as impurezas que lhe insultavam o andar.
Com a morta nos braços, o coveiro abriu o mais que pode os seus grandes olhos infectados. E quando finalmente a deitou sobre o lado virgem da cama, cobrindo metade da morte com um lençol velho e amarrotado, disse para si mesmo:
- Não posso coçá-los. Tenho comichão, mas não posso coçá-los. Se os coçar posso perdê-los.
Ainda vestido e calçado, deitou-se ao seu lado. Afogou-lhe os cabelos com a ponta dos dedos. Aproximou o nariz mal treinado para odores mais intímos a uma das axilas recém-barbeadas da morta. Os seios destapados, gelados e duros, relampejavam no escuro como duas laranjas cobertas de geada. E foi nesse preciso instante - enquanto cheirava o doce e fixava as laranjas - que uma sensação já esquecida e apressada começou a possuir-lhe todo o corpo: ela estava nua, dura, e indefesa ao seu lado; ao contrário, o sangue do coveiro, fervente, revolto e espesso, mostrava-se vivo e confluía todo num trânsito desordenado, a uma só voz, em direcção à mesma artéria, para inflamar o mesmo músculo.
Com uma enorme erecção dentro das calças o coveiro constatou:
-É isto afinal o mundo.
Os cabelos longos e negros da morta cresciam ainda, alimentados pelos ossos, varrendo o chão de todas as impurezas que lhe insultavam o andar.
Com a morta nos braços, o coveiro abriu o mais que pode os seus grandes olhos infectados. E quando finalmente a deitou sobre o lado virgem da cama, cobrindo metade da morte com um lençol velho e amarrotado, disse para si mesmo:
- Não posso coçá-los. Tenho comichão, mas não posso coçá-los. Se os coçar posso perdê-los.
Ainda vestido e calçado, deitou-se ao seu lado. Afogou-lhe os cabelos com a ponta dos dedos. Aproximou o nariz mal treinado para odores mais intímos a uma das axilas recém-barbeadas da morta. Os seios destapados, gelados e duros, relampejavam no escuro como duas laranjas cobertas de geada. E foi nesse preciso instante - enquanto cheirava o doce e fixava as laranjas - que uma sensação já esquecida e apressada começou a possuir-lhe todo o corpo: ela estava nua, dura, e indefesa ao seu lado; ao contrário, o sangue do coveiro, fervente, revolto e espesso, mostrava-se vivo e confluía todo num trânsito desordenado, a uma só voz, em direcção à mesma artéria, para inflamar o mesmo músculo.
Com uma enorme erecção dentro das calças o coveiro constatou:
-É isto afinal o mundo.
domingo, 7 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Em virtude do Amor
Libertei o quarto onde durmo, onde sonho
Libertei o campo e a cidade onde passo,
Onde sonho acordado, onde o sol se levanta,
Onde, nos meus olhos ausentes, a luz se acumula.
Mundo de pequena felicidade, sem superfície e sem fundo,
De encantos esquecidos logo que descobertos,
O nascimento e a morte misturam o seu contágio
Nas dobras da terra e do céu misturadas.
Não separei nada mas reforcei o coração.
De amar, tudo criei: real, imaginário,
Dei a sua razão a sua forma o seu calor
E o seu papel imortal àquela que me ilumina.
Paul Éluard, in "poemas de amor e de liberdade" campo das letras, 2000
trad. Egito Gonçalves
Libertei o campo e a cidade onde passo,
Onde sonho acordado, onde o sol se levanta,
Onde, nos meus olhos ausentes, a luz se acumula.
Mundo de pequena felicidade, sem superfície e sem fundo,
De encantos esquecidos logo que descobertos,
O nascimento e a morte misturam o seu contágio
Nas dobras da terra e do céu misturadas.
Não separei nada mas reforcei o coração.
De amar, tudo criei: real, imaginário,
Dei a sua razão a sua forma o seu calor
E o seu papel imortal àquela que me ilumina.
Paul Éluard, in "poemas de amor e de liberdade" campo das letras, 2000
trad. Egito Gonçalves
Sem Rumo
Uma folha ao dissabor da tempestade
Partindo-se na poeira do abandono
o silencio do amante na sisuda fronte
Do cavaleiro.
Inerte esvaece o infantil assombro
Um esqueleto ao relento chora
A noite embala meus despertos pesadelos
Incessante é a dor estirando mórbidos pensamentos
Espalhando-os como lembranças em chagas.
Uma folha desaparece e no seu rumo incerto
Toda saudação,esperança e amor em delírio partilham
O mergulho em solidão infinita.
Partindo-se na poeira do abandono
o silencio do amante na sisuda fronte
Do cavaleiro.
Inerte esvaece o infantil assombro
Um esqueleto ao relento chora
A noite embala meus despertos pesadelos
Incessante é a dor estirando mórbidos pensamentos
Espalhando-os como lembranças em chagas.
Uma folha desaparece e no seu rumo incerto
Toda saudação,esperança e amor em delírio partilham
O mergulho em solidão infinita.
sexta-feira, 17 de setembro de 2010
Na noite, no silêncio...
Na noite, no silêncio...
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza, dentro de mim, te procura.
...
(Excerto do poema «Tríptico», publicado em A Colher na Boca, 1961)
Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros
ao lado do espaço
e o coração é uma semente inventada
em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia
tu arrebatas os caminhos da minha solidão
como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer
junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.
Quando as crianças acordam nas luas espantadas
que às vezes se despenham no meio do tempo
- não sei como dizer-te que a pureza, dentro de mim, te procura.
...
(Excerto do poema «Tríptico», publicado em A Colher na Boca, 1961)
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Aparece
Aparece pura gema feminina
Como uma jovem solitária
No meio dos seus vestidos nus
Como uma jovem nua
No meio das mãos que a imploram
Eu te saúdo
Anseio por uma chama nua
Anseio p'lo que ela esclarece
Surge meu jovem espectro
Nos teus braços uma ilha desconhecida
Tomará a forma do teu corpo
Minha bem aparecida
Uma ilha e o mar decresce
O espaço teria um leve arrepio apenas
Para nós dois um único horizonte
Acredita em mim revela-te assedia o meu olhar
Dá vida a todos os meus sonhos
Abre os olhos.
Paul Éluard in. "últimos poemas de amor" relógio d'água
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Há na intimidade um limiar sagrado
Há na intimidade um limiar sagrado,
encantamento e paixão não podem transpor-
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.
Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.
Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.
Anna Akhmátova in. "só o sangue cheira a sangue" assirio & alvim
encantamento e paixão não podem transpor-
mesmo que no silêncio assustador se fundam
os lábios e o coração se rasgue de amor.
Onde a amizade nada pode nem os anos
da felicidade mais sublime e ardente,
onde a alma é livre, e se torna estranha
à vagarosa volúpia e seu langor lento.
Quem corre para o limiar é louco, e quem
o alcançar é ferido de aflição...
Agora compreendes por que já não bate
sob a tua mão em concha o meu coração.
Anna Akhmátova in. "só o sangue cheira a sangue" assirio & alvim
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